segunda-feira, 14 de julho de 2014

14 de Julho de 1789: Revolução Francesa. Tomada da Bastilha.

14 de Julho de 1789: Revolução Francesa. Tomada da Bastilha. Os habitantes de Paris revoltam-se e assaltam a prisão, libertando os presos políticos. Começa a queda do Antigo Regime

Os parisienses desesperados pelas restrições e o imobilismo do rei Luís XVI revoltam-se. À procura de armas, invadem  o Hôtel des Invalides e depois  dirigem-se à prisão da Bastilha. O governador De Launay que possui as chaves da fortaleza é forçado a entregá-las aos insurgentes. Todavia, certos revolucionários conseguem atravessar as muralhas e De Launay ordena que se abra fogo. Mais de 80 parisienses são mortos. No final da tarde, o governador capitula e uma hora mais tarde é fuzilado. A tomada da Bastilha em 14 de Julho de 1789 assinala o ponto de partida da Revolução Francesa, uma década de distúrbios políticos e terror, em que o rei Luis XVI foi destronado e dezenas de milhares de pessoas inclusive a sua mulher Maria Antonieta foram executadas na guilhotina. O símbolo do arbítrio real cai. O Antigo Regime vai chegando ao fim.
A Bastilha foi originalmente construída em 1370 como uma fortificação para proteger as muralhas de Paris contra um ataque dos ingleses. Transformou-se mais tarde numa fortaleza independente e o seu nome “bastide” foi mudado para Bastille. A Bastilha foi utilizada primeiramente como prisão estatal no século XVII e as suas celas foram reservadas para os delinquentes das classes abastadas, para os agitadores políticos e para os espiões. A maioria dos prisioneiros estava ali sem que houvesse um julgamento sob ordens directas do rei. Medindo 35 metros de altura e rodeada por um fosso de quase 3 metros de largura, a Bastilha mostrava-se como uma imponente estrutura no panorama urbano de Paris. 


Por ocasião do Verão de 1789, a França movia-se rapidamente em direcção à revolução. Ocorreu severa escassez de alimentos naquele ano e o ressentimento popular contra o governo do rei Luis XVI transformara-se em verdadeira fúria. Em Junho, o Terceiro Estado que representava a plebe e o baixo clero, declara-se em Assembleia Nacional e clama pela redacção de uma constituição.
 Inicialmente parecendo ceder, Luis XVI legaliza a Assembleia Nacional porém cerca Paris de tropas e demite Jacques Necker, um ministro de Estado popular que defendia abertamente as reformas. Em resposta, multidões começam a manifestar-se nas ruas de Paris comandadas por líderes revolucionários.
Bernard-Jordan de Launay, o governador militar da Bastilha, temia que a sua fortaleza pudesse ser alvo dos revolucionários, tendo solicitado urgentes reforços. Uma companhia de soldados mercenários suíços chegou em sete de Julho a fim de reforçar a sua guarnição de 82 soldados.
O Marquês de Sade, um dos poucos prisioneiros da Bastilha à época, foi transferido para um asilo de loucos após a tentativa de incitar uma pequena multidão que se encontrava em frente à sua janela ao gritar: "Estão a massacrar os prisioneiros; vocês precisam vir e libertá-los." Em 12 de Julho, as autoridades reais transferiram 250 barris de pólvora para a Bastilha do Arsenal de Paris, que era muito vulnerável ao ataque. Launay trouxe os seus homens para dentro da Bastilha, erguendo as duas pontes levadiças.
Em 13 de Julho, revolucionários empunhando mosquetes começaram a atirar aos soldados que montavam guarda às torres da Bastilha e procuraram abrigar-se no pátio da fortaleza quando os homens de Launay passaram a responder. Naquela noite, multidões irromperam no Arsenal de Paris e outro depósito de armas e tomaram milhares de mosquetes. Ao amanhecer de 14 de Julho, uma grande multidão armada de mosquetes, espadas e diversas armas improvisadas começou a reunir-se em torno da Bastilha.
Launay recebeu uma delegação de líderes revolucionários, porém recusou-se a entregar a fortaleza e as suas munições como lhe era exigido. Mais tarde recebeu uma segunda delegação e prometeu não abrir fogo contra a multidão. Para convencer os revolucionários, mostrou-lhes que os canhões não estavam carregados.
Ao invés de acalmar a agitada multidão, a notícia de que os canhões não estavam activos encorajou um grupo de homens a escalar o muro externo, chegar ao pátio interno e baixar a ponte levadiça. Trezentos revolucionários invadiram a fortificação. Os soldados de Launay assumiram uma posição defensiva. Quando a multidão começou a tentar baixar a segunda ponte levadiça, Launay ordenou que os seus homens abrissem fogo. Cerca de 100 manifestantes morreram ou ficaram feridos.
Num primeiro momento, o contingente de Launay mostrou-se capaz de conter e afastar a multidão, contudo mais e mais parisienses convergiam para a Bastilha. Cerca de 3 horas da tarde, chega uma companhia de desertores do exército francês. Os soldados, ocultados pela cortina de fumo de uma fogueira alimentada pelos manifestantes, posicionaram cinco canhões e assestaram como alvo a Bastilha. Diante da circunstância, Launay ergueu uma bandeira branca de rendição numa haste da fortaleza. Launay e os seus homens foram feitos prisioneiros, a pólvora e os canhões foram tomados e os sete prisioneiros da Bastilha, libertados. Ao chegarem ao hotel de Ville, onde a prisão de Launay deveria ser ditada por um conselho revolucionário, o governador da Bastilha foi afastado dos seus acompanhantes por gente do povo e morto.
A Tomada da Bastilha simboliza o fim do Antigo Regime e proporcionou à causa dos revolucionários franceses um irresistível momento. Apoiados pela esmagadora maioria do exército francês, os revolucionários assumiram o controlo de Paris e a partir daí dos arredores, forçando o rei Luís XVI a aceitar um governo constitucional. Em 1792, a monarquia foi abolida e Luís XVI e sua mulher Maria Antonieta foram levados à guilhotina por traição em 1793.
Por ordem do novo governo revolucionário, a Bastilha foi derrubada. Em 6 de Fevereiro de 1790, a última pedra da odiada prisão-fortaleza foi apresentada à Assembleia Nacional. Actualmente, - o dia 14 de Julho – dia da Queda da Bastilha – é celebrado como o maior feriado de França. 
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)

  Tomada da Bastillha  por Jean-Pierre Houël

Prisão do governador da Bastilha Jean-Baptiste Lallemand


"É assim que vingamos os traidores" Gravura de 1789 que mostra os soldados que transportam as cabeças dos responsáveis pela Bastilha, entre eles o Marquês de Launay
Fonte:
http://estoriasdahistoria12.blogspot.pt/2014/07/14-de-julho-de-1789-revolucao-francesa.html?spref=fb

NÃO SOU DE COR, SOU NEGRA, Poema de Morgado Mbalate


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NÃO SOU DE COR, SOU NEGRA
Morgado Mbalate.*
Não sou de cor, sou negra cor de luto.
Não sou de cor, sou negra e contra o preconceito luto.
Não sou de cor, sou negra com coração sem rancor.
Não sou de cor, sou negra com coração que brota amor.
Os negros também merecem louvor.
Todas raças merecem valor.
Não sou de cor, sou negra
Por que sou oprimida com o desnível social e racial?
Não sou de cor, sou negra com direitos humanos como no geral.
A cor negra é uma das diferenças e riquezas.
Pele negra, também, é a cor da beleza.
*Morgado Henrique Mbalate é um jovem poeta moçambicano
Fonte:
http://marinabaitello.wordpress.com/tag/mulher-negra-racismo-beleza-morgado-mbalate/#

sábado, 12 de julho de 2014

A reinvenção do 'graffiti' segundo Vhils

Vhils ao lado de algumas obras feitas a partir de cartazes
Habituado a trabalhar fora de portas, em espaços abandonados, arruinados ou em vias de destruição, Vhils (nome artístico de Alexandre Farto) aceitou o desafio de criar uma exposição no Museu da Eletricidade, em Lisboa, mas fê-lo trazendo não só o seu trabalho mas a própria cidade para dentro do museu. Traz os cartazes que habitualmente encontramos afixados nas paredes, portas de madeira, placas de ferro, a evocação dos "ruídos da urbe" e das luzes do néon, e até uma carruagem do metro, completamente desmontada, mostrando os seus vários componentes numa obra que se chama "Dissecação", que é também o título da exposição que inaugura hoje.
"Pensámos muito no título da exposição e discutimos a ideia de autópsia, de abrir um corpo para ver os seus órgãos. Até chegámos a falar com um médico especialista em autópsias. E chegámos a esta ideia de "dissecação"", explica o comissário João Pinharanda.
O artista, de 27 anos, começou a fazer graffitis com 13 anos, com um grupo de amigos da Margem Sul. "Não tenho vergonha de assumir isso, foi muito importante. Foi quase a minha escola e foi também um processo de consciencialização do espaço e do que queria fazer. Comecei por fazer graffiti com amigos e estive muito tempo nesse circuito."
Vhils era o seu tag, ou seja, a sua assinatura. "Eram as letras mais rápidas que eu conseguia fazer. A ideia era assinar o trabalho mas não ser identificado. A palavra em si não tem nenhum significado, não significa nada em língua nenhuma, o que acabou por ser uma sorte", diz. Depois, quando começou a fazer outro tipo de peças, começou a assiná-las como Alexandre Farto. "Inicialmente era uma forma de distinguir o trabalho em graffiti do trabalho indoor. O nome de rua dava-me alguma independência para trabalhar noutras coisas. Mas as coisas foram-se misturando. Hoje em dia já não há essa separação."
"A certa altura, percebi que o graffiti se fecha bastante em si próprio e quis explorar outros caminhos", lembra. Vhils continua a desenhar e a fotografar mas hoje em dia é como um escultor que escava os materiais para inscrever/revelar imagens: "Os conceitos estão lá, mas estão escondidos. Às vezes basta uma faísca para os pôr à mostra", diz.
Fonte:
http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=4008300&seccao=Artes Pl%E1sticas

As origens da emancipação feminina em Portugal

As origens da emancipação feminina em Portugal

Imagem de Introdução

A herança iluminista que defendia a liberdade e a igualdade de todos os cidadãos mudou regimes políticos, laicizou a cultura e valorizou a instrução e a educação como motores de progresso económico e social e fontes de felicidade individual e colectiva. Algumas mulheres da burguesia culta e informada aproveitaram os ventos modernizadores que sopravam da Europa mais progressista e iniciaram o processo de emancipação feminina, emergindo no espaço público, sobretudo como tradutoras, escritoras e professoras.

Embora lentamente, muitas mulheres instruídas viram na escrita e no ensino uma forma de escaparem ao silêncio e à invisibilidade que, desde há muito, a sociedade impunha ao sexo feminino. Ao longo do século XIX, estas mulheres fazem da imprensa periódica a sua tribuna, exprimindo ideias, debatendo problemas e propondo soluções. É através da escrita que se afirmam como seres independentes, que se pretendem livres de qualquer tutela, e reclamam o lugar a que se julgam com direito.
Se na primeira metade do século muitas se escondem sob o anonimato, na segunda metade assumem sem preconceitos as suas identidades e aventuram-se na fundação e direcção de revistas e jornais e na propagação das ideias emancipadoras do direito à educação e ao exercício de uma profissão, a fim de se tornarem economicamente autónomas. Em 1849, surge A Assembleia Literária, o primeiro jornal fundado e dirigido por uma mulher, Antónia Gertrudes Pusich, consagrado à instrução do sexo feminino. Nos anos que se seguem, entre os periódicos femininos destinados a entreter a preguiça e a frivolidade, aparecem outros apostados na defesa dos direitos das mulheres e na mudança de mentalidades e comportamentos sociais. Francisca Wood funda A Voz Feminina, em 1868 e O Progresso em 1869; Guiomar Torrezão toma a direcção d'O Almanaque das Senhoras em 1870; Elisa Curado dirige A Mulher, surgido em 1883; Beatriz Pinheiro funda e dirige A Ave Azul em 1898.
Na viragem do século, este grupo de mulheres dá lugar a outro que, também na imprensa, se vai assumindo como vanguarda mobilizadora do movimento feminista da primeira vaga que reivindica a igualdade de direitos jurídicos, económicos, civis e políticos entre os sexos. Se no início, a convergência de ideais unia mulheres conservadoras e monárquicas, como Olga Morais Sarmento da Silveira e Domitila de Carvalho, às republicanas Ana de Castro Osório, Adelaide Cabete, Maria Veleda e Carolina Beatriz Ângelo, entre outras, com a aproximação destas últimas ao Partido Republicano, dá-se a cisão definitiva.
Nas primeiras décadas do século XX surgem assim as associações femininas e feministas que agregam mulheres de todos os estratos sociais: escritoras, professoras, médicas, advogadas, comerciantes, industriais, costureiras, domésticas... As mulheres republicanas fundam, em 1907, o «Grupo de Estudos Feministas», em 1909, «A Liga Republicana das Mulheres Portuguesas», em 1911, a «Associação de Propaganda Feminista», em 1914, o «Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas», em 1915, a «Associação Feminina de Propaganda Democrática» e, em 1916, a «Cruzada das Mulheres Portuguesas».
A aliança entre os dirigentes do Partido Republicano e as mulheres republicanas foi reforçada com a iniciação de muitas delas na Maçonaria e a militância activa na «Loja Humanidade», agremiação feminina com igualdade de direitos e representação junto das hierarquias maçónicas. Naquela época, maçonaria feminina, República e feminismo eram expressões do mesmo ideal e espaços de intervenção na conquista da liberdade, da igualdade e do direito de cidadania.
Natividade Monteiro é licenciada em História pela FL-UL, mestre em Estudos sobre as Mulheres, professora de História e investigadora de Faces de Eva-Cesnova e do CEMRI-Universidade Aberta. Faz parte dos órgãos sociais da APH - Associação de Professores de História, é sócia da APEM – Associação Portuguesa de Estudos sobre as Mulheres, membro do Conselho Científico do Centro de Documentação e Arquivo Feminista Elina Guimarães da UMAR e integra a Direcção e o Conselho Redactorial da Revista Faces de Eva. No âmbito dos Estudos sobre as Mulheres, tem publicado livros e artigos, participado em Congressos, Seminários, Colóquios e Tertúlias e coordenado exposições e ciclos de conferências.
Fonte:
http://www.aph.pt/ex_assPropFeminina4.php

TAP homenageia Malangatana

A companhia aérea de bandeira portuguesa TAP (Membro Apoiante da UCCLA) procedeu a uma homenagem póstuma ao artista plástico 
moçambicano Malangatana Valente Nguenya, atribuindo o seu nome a um avião recentemente adquirido.

http://bit.ly/TUr58l



https://www.facebook.com/MozNice?fref=photo

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Finalmente tive a sorte de ver um concerto do FAUSTO BORDALO DIAS

Sou admiradora dele há uns 30 anos e só há pouco tempo assisti a um concerto ao vivo e de borla nas Festas de Lisboa.
Fausto Bordalo Dias, representante da música e da cultura em português, propôs-se, neste espectáculo, a revisitar os discos que compõem a sua trilogia sobre a diáspora lusitana: Por este rio acima, Crónicas da terra ardente e Em busca das montanhas azuis.
 Estes trabalhos são considerados uma referência dentro da música popular portuguesa. Fausto compõe cada álbum de originais como quem conta uma história, da primeira à última canção. 
Dizem os seus admiradores que cada um dos seus discos devia ser escutado “de guião em punho”, como quem vai à ópera. “Por favor, leiam estes discos!”, diz o jornalista e crítico Viriato Teles.
Foi maravilhoso!



Carlos Fausto Bordalo Gomes Dias nasceu em 26 de Novembro de 1948, em pleno oceano Atlântico, a bordo de um navio chamado «Pátria» que viajava de Portugal para Angola. Foi nesta antiga colónia portuguesa que passou a infância e adolescência e começou a interessar-se por música.

Filho de beirões, assimilou os ritmos africanos a que juntaria, mais tarde, os das suas origens lusas.

O primeiro grupo de que fez parte chamava-se Os Rebeldes e cultivava, naturalmente, a música pop da altura.

Em 1968, com 20 anos, fixou-se em Lisboa para iniciar os estudos universitários (é licenciado em Ciências Sócio-Políticas e frequentou um mestrado de Relações Internacionais) e foi no âmbito do movimento associativo que se revelou como cantor, aproximando-se rapidamente do movimento que já integrava então nomes como José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Manuel Freire ou Vieira da Silva – juntamente com José Mário Branco ou Luís Cília, que viviam no exílio – e que teve um importante papel político e cultural na resistência aos últimos anos do fascismo e no processo revolucionário iniciado com o 25 de Abril de 1974.

É impossível dissociar o seu nome de discos tão fundamentais da música portuguesa contemporânea como «Por Este Rio Acima», «O Despertar dos Alquimistas», «Para Além das Cordilheiras», «A Preto e Branco» ou «Crónicas da Terra Ardente». Com Fausto, é toda uma viagem pelo universo dos sons, da memória colectiva, do sentir mais profundo que nos une enquanto comunidade(s).
http://www.festasdelisboa.com/2014/evento/fausto-bordalo-dias/#floating_FacebookLIKE

http://centraldeartistas.pt/index.php?option=com_mtree&task=viewlink&link_id=167&Itemid=0

PARA HOMENAGEAR FAUSTO

Fausto Bordalo Dias
Ainda não vos tinha deixado umas palavras sobre um dos meus poetas, artistas, compositores  portugueses favoritos.


OIÇAM E DIGAM ALGUMA COISA...



POR VEZES A BOA MÚSICA PORTUGUESA ESTÁ MUITO ACESSÍVEL: