terça-feira, 13 de maio de 2014

Pintura de Picasso duplica de valor em dez anos

Pintura de Picasso duplica de valor em dez anos
Le Sauvetage (O Salvamento), uma tela de Pablo Picasso pintada em Novembro de 1932, foi a grande estrela do leilão de arte impressionista e moderna da Sotheby’s que se realizou na noite da passada quarta-feira em Nova Iorque. A obra, uma das 13 do mestre espanhol presentes naquele leilão, atingiu 31,5 milhões de dólares (perto de 23 milhões de euros), após demorada licitação. Foi mais do dobro do valor (15 milhões de dólares) por que fora vendida em 2004, também pela Sotheby’s.
Pintura de Picasso duplica de valor em dez anos
Segundo a nota do catálogo, “o dramático salvamento do mar de Marie-Thérèse é o tema de Le Sauvetage […]. A cena representa as actividades acrobáticas na praia enquanto o corpo lânguido de uma banhista é resgatado da água”. O texto divulgado pela leiloeira também refere que a obra “foi criada no auge da obsessão do artista pela jovem”. Marie-Thérèse Walter foi modelo e amante de Picasso entre 1927 e 1935. O casal teve inclusive uma filha, Maya.
O leilão de quarta-feira, que contava com pinturas e esculturas impressionistas e modernas de nomes como Matisse, Chagall, Monet e Giacometti, realizou um total de 219 milhões de dólares. Apesar destes valores, o New York Times considerou o serão “decepcionante” e “acidentado”, referindo que cerca de um terço das obras ficaram por vender. “Pinturas e esculturas por mestres como Degas, Renoir e Picasso ou estavam demasiado caras ou não eram suficientemente boas para tentar os compradores”, disse o jornal nova-iorquino.
Fonte:
http://sol.sapo.pt/SOL/noticia/105209

domingo, 11 de maio de 2014

Heteronímia em Fernando Pessoa


A palavra Heteronímia é formada por heteros=diferente e ónoma=nome, e estuda os autores fictícios que possuem personalidade própria, porque, ao contrário de pseudónimos, os heterónimos constituem uma personalidade. 
O criador do heterónimo é chamado de "ortónimo", assumindo as outras personalidades como se fossem pessoas reais.
O maior e mais famoso exemplo da produção de heterónimos é Fernando Pessoa. Considera-se que a grande criação estética de Pessoa foi a invenção heteronímica que atravessa toda a sua obra.
Entre os heterónimos, o próprio Fernando Pessoa passou a ser chamado ortónimo, porquanto era a personalidade original. Entretanto, com o amadurecimento de cada uma das outras personalidades, o próprio ortónimo tornou-se apenas mais um heterónimo entre os outros.
Os três heterónimos mais conhecidos, e com maior obra poética,são Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro. Um quarto heterónimo de grande importância na obra de Pessoa é Bernardo Soares, autor do Livro do Desassossego, importante obra literária do século XX.
Bernardo é considerado um semi-heterónimo por ter muitas semelhanças com Fernando Pessoa e não possuir uma personalidade muito característica, ao contrário dos três primeiros, que possuem até mesmo data de nascimento e morte (excepção para Ricardo Reis, que não possui data de falecimento).

1 - No poema “Autopsicografia”, Fernando Pessoa apresenta a criação estética como um processo de intelectualização de emoções sentidas: o leitor não tem acesso à dor sentida nem à dor fingida, mas só à dor escrita, só ao poema, susceptível de gerar emoção estética. Noutro texto, considera que o grau máximo do poeta seria aquele que fosse “vários poetas, um poeta dramático escrevendo em poesia lírica” (tal como um autor cria as personagens do seu romance, o poeta dramático criaria as personagens, não de um romance, porque não teriam acção efectiva, mas da sua poesia lírica - ou seja: vários poetas/heterónimos, várias expressões líricas). O progresso do poeta dentro de si próprio realiza-se pela vitória sobre a sinceridade, pela conquista da capacidade de fingir. Poderemos, pois, inferir dos poemas “Autopsicografia” e “Isto” que a heteronímia surge como parte desse processo intelectualizante.
Nas palavras de Pessoa: “ Por qualquer motivo temperamental que me não proponho analisar, nem importa que analise, construí dentro de mim várias personagens distintas entre si e de mim, personagens essas a que atribuí poemas vários que não são como eu, nos meus sentimentos e ideias, os escreveria. Assim têm estes poemas de Caeiro, os de Ricardo Reis e os de Álvaro de Campos que ser considerados.”
           
2 - «Fernando Pessoa passa a escrever em seu próprio nome e em nome destas personagens que são emanações suas, mas a que atribui (sobretudo a Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos) uma biografia, uma personalidade, um pensamento, um estilo. A origem mental dos heterónimos, diz na bem conhecida carta a Adolfo Casais Monteiro, está na sua “tendência orgânica para a despersonalização e para a simulação”.
Mas devemos considerá-los pelos menos em dois planos distintos: o plano interior, isto é, correspondente à cisão da sua vida psíquica ou à coabitação, nela, de diferentes personalidades virtuais; e o plano projectivo, ou seja, o desejo de intervenção de Pessoa na dinâmica do grupo e na vida social e cultural portuguesa.
Quanto ao primeiro, estamos em presença de uma navegação íntima, à procura do “graal” da sua alma, ou da verdade última que ela é, para além das suas diversas inclinações, ou antes, para além das “Máscaras” ou das “personas” que encontra dentro de si, por vezes diferentes ou até contraditórias. Sob este ponto de vista, a obra de Fernando Pessoa procura responder àquela pergunta original de todo o homem atento: quem sou eu? E ainda: que é ser eu?
(...)Fernando Pessoa envolve-se então numa (inegualada na literatura universal) procura da sua própria identidade. Órfão do pai e desgarrado da mãe, temeroso da entrega ao sentimento amoroso, solitário e privado da consolação familiar, o poeta é um homem vazio que, no seu desamparo, cria um mundo para descobrir a sua verdadeira identidade».  [Bibl.]

3 - «Mas há nos heterónimos um segundo plano, que é o da projecção para o exterior, o da provocação ao sossego habitual da atmosfera lisboeta, o da adesão à inquietude desses anos em que o modernismo e o futurismo lançam o ataque final contra o século XIX romântico e neoclássico, puritano e espartilhado, enfim uma crítica indisciplinadora a que não é indiferente a sua torturada ansiedade patriótica.
(...) Pode imaginar-se a influência que uma tal explosão de inventividade terá tido sobre os companheiros de café e de tertúlia na Lisboa do tempo... Encontram-se na verdade perante uma visível manifestação de génio, acentuada pelo carácter tranquilo e um pouco misterioso de Fernando Pessoa que, para lá do pouco que dizia, se calava longamente em silêncios intrigantes. O próprio poeta acentua este clima de mistério ao brincar com os amigos ao jogo dos heterónimos, procurando impô-los como pessoas verdadeiras, que discordam entre si ou que até criticam o próprio Fernando Pessoa. Há aqui uma faceta lúdica, que vai a carácter, aliás, com uma certa dimensão infantil que Pessoa sempre conservou.»   [Bibl.]

4 - Em síntese, razões plausíveis para a existência da heteronímia pessoana:
- a “tendência orgânica para a despersonalização e para a simulação”;
sentimentos de solidão e dispersão, falta de unidade do eu, (as máscaras);

- o fingimento como processo de criação poética, pelo domínio da razão sobre as emoções;

- uma intensa vida interior, um sentido de busca do absoluto;

- uma faceta lúdica de reminiscências infantis;
- alguma irreverência e provocação futurista no ambiente cultural e literário da sua época.

5 - Afirmou Fernando Pessoa: “É sério tudo o que escrevi sob os nomes de Caeiro, Reis, Álvaro de Campos. Em qualquer destes pus um profundo conceito de vida, diverso em todos três, mas em todos gravemente atento à importância misteriosa de existir.”   
Se, por um lado, os diversos “Pessoas” são diferentes entre si, por outro, são todos eles contemporâneos, enquadrados nas correntes europeias da época e sofrendo idênticas crises de valores e de consciência.
Com Fernando Pessoa ele-mesmo, todos partilham o paganismo, a dor de pensar e o regresso à infância como a idade ideal (em Reis, o “adulto criança”). Pessoa e Reis encontram afinidades na estética neoclássica e na intelectualização das emoções. Pessoa e Campos assemelham-se na fragmentação do “eu”, na dificuldade ou impossibilidade de relacionamento com os outros, na evasão no sonho, nos sentimentos de tédio, abulia, cansaço; sentimentos que também são evidentes na poesia de Reis, pela sua descrença e demissão da vida.
Com o “mestre” Caeiro, aprenderam o valor da realidade exterior, presente e concreta, apreendida ingenuamente pelos sentidos; mas em Reis, além do sentir, também há a aceitação do pensar, como partes integrantes do Homem e uma importância concedida à Razão como disciplinadora do corpo e da mente; Campos diferenciou-se de Caeiro, na substituição da realidade exterior bucólica pela tecnológica, na apreensão subjectiva das sensações (não a sensações das coisas como são mas a sensação das coisas conforme são sentidas) e no desejo indisciplinado de querer viver todas as sensações de todas as maneiras.

A título de curiosidade, publica-se, em ordem aproximada de criação, uma listagem incompleta das personalidades criadas pelo Poeta:.

01. Dr. Pancracio - jornalista de A PALAVRA e de O PALRADOR, contista, poeta e charadista.

02. Luís António Congo - colaborador de O PALRADOR, cronista e apresentador de Eduardo Lança.

03. Eduardo Lança - colaborador de o PALRADOR, poeta luso-brasileiro.

04. A. Francisco de Paula Angard - colaborador de o PALRADOR, autor de «textos científicos».

05. Pedro da Silva Salles (Pad Zé) - colaborador de o PALRADOR, autor e director da secção de anedotas.

06. José Rodrigues do Valle (Scicio), - colaborador de o PALRADOR, charadista e dito «director literário».

07. Pip - colaborador de o PALRADOR, poeta humorístico, autor de anedotas e charadas, predecessor neste domínio do Dr. Pancracio.

08. Dr. Caloiro - colaborador de o PALRADOR, jornalista-repórter de «A pesca das pérolas».

09. Morris & Theodor - colaborador de o PALRADOR, charadista.

10. Diabo Azul - colaborador de o PALRADOR, charadista.

11. Parry - colaborador de o PALRADOR, charadista.

12. Gallião Pequeno - colaborador de o PALRADOR, charadista.

13. Accursio Urbano - colaborador de o PALRADOR, charadista

14. Cecília - colaborador de o PALRADOR, charadista.

15. José Rasteiro - colaborador de o PALRADOR, autor de provérbios e adivinhas.

16. Tagus - colaborador no NATAL MERCURY (Durban).

17. Adolph Moscow - colaborador de o PALRADOR, romancista, autor de «Os Rapazes de Barrowby».

18. Marvell Kisch autor de um romance anunciado em O PALRADOR, («A Riqueza de um Doido»).

19. Gabriel Keene - autor de um romance anunciado em O PALRADOR, («Em Dias de Perigo»).

20. Sableton-Kay - autor de um romance anunciado em O PALRADOR, («A Lucta Aerea»).

21.Dr. Gaudêncio Nabos - director de O PALRADOR (3.ª série), jornalista e humorista anglo-português).

22. Nympha Negra - colaborador de O PALRADOR, charadista.

23. Professor Trochee - autor de um ensaio humorístico de conselhos aos jovens poetas.

24. David Merrick - poeta, contista e dramaturgo.

25. Lucas Merrick - contista (irmão de David?).

26. Willyam Links Esk - personagem de ficção que assina uma carta num inglês defeituoso (13/4/1905).

27. Charles Robert Anon - poeta, filósofo e contista.

28. Horace James Faber - ensaísta e contista.

29. Navas - tradutor de Horace J. Faber.

30. Alexander Search - poeta e contista.

31. Charles James Search - tradutor e ensaísta (irmão de Alexander).

32. Herr Prosit - tradutor de O Estudante de Salamanca de Espronceda.

33. Jean Seul de Méluret - poeta e ensaísta em francês.

34. Pantaleão - poeta e prosador.

35. Torquato Mendes Fonseca da Cunha Rey - autor (falecido) de um escrito sem título que Pantaleão decide publicar.

36. Gomes Pipa - anunciado como colaborador de O PHOSPHORO e da Empresa Íbis como autor de «Contos políticos».

37. Íbis - personagem da infância que acompanha Pessoa até ao fim da vida nas relações com os seus íntimos que sobretudo se exprimiu de viva voz, mas também assinou poemas.

38. Joaquim Moura Costa - poeta satírico, militante republicano, colaborador de O PHOSPHORO.

39. Faustino Antunes (A. Moreira) - psicólogo, autor de um «Ensaio sobre a Intuição»).

40. António Gomes - «licenciado em philosophia pela Universidade dos Inúteis», autor da «Historia Cómica do Çapateiro Affonso».

41. Vicente Guedes - tradutor, poeta, contista da Íbis, autor de um diário.

42. Gervásio Guedes - (irmão de Vicente?) autor de um texto anunciado, «A Coroação de Jorge Quinto», em tempos de O PHOSPHORO e da Empresa Íbis.

43. Carlos Otto - poeta e autor do «Tratado de Lucta Livre».

44. Miguel Otto - irmão provável de Carlos a quem teria sido passada a incumbência da tradução do «Tratado de Lucta Livre».

45. Frederick Wyatt - poeta e prosador em inglês.

46. Rev. Walter Wyatt - irmão clérigo de Frederick?

47. Alfred Wyatt - mais um irmão Wyatt, residente em Paris.

48. Bernardo Soares - poeta e prosador.

49. António Mora - filósofo e sociólogo, teórico do Neopaganismo.

50. Sher Henay - compilador e prefaciador de uma antologia sensacionalista em inglês.

51. Ricardo Reis - neoclássico, racionalista e semipagão.

52. Alberto Caeiro - o camponês sábio.

53. Álvaro de Campos - futurista, neurótico e angustiado.

54. Barão de Teive - prosador, autor de «Educação do Stoico» e «Daphnis e Chloe».

55. Maria José - escreve e assina «A Carta da Corcunda para o Serralheiro».

56. Abílio Quaresma - personagem de Pêro Botelho e autor de contos policiais.

57. Pero Botelho - contista e autor de cartas.

58. Efbeedee Pasha - autor de «Stories» humorísticas.

59. Thomas Crosse - inglês de pendor épico-ocultista, divulgador da cultura portuguesa.

60. I.I. Crosse - coadjuvante do irmão Thomas na divulgação de Campos e Caeiro.

61. A.A. Crosse - charadista e cruzadista

....e ainda faltam mais uns quantos.

Fontes:


Pessoa Forever
Página Comunitária sobre Fernando Pessoa

  • Esta é uma página de homenagem a Fernando Pessoa que não pretende ser convencional e bem comportada http://navegarcomfernandopessoa.blogspot.pt/2008/10/os-heternimos-ii.html  http://www.prof2000.pt/users/secjeste/dlrc/seucsec/unid12/pg002400.htm

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Viagem a Mérida

Em Junho de 2013 fomos passear a Mérida, cidade que há muito queria conhecer.


A cidade de Mérida, Emérita Augusta como foi baptizada pelos Romanos, deve o seu nome ao imperador Augusto, e ao facto dos seus principais colonos serem legionários, que por terem cumprido o seu dever ao serviço de Roma eram considerados “ emeritos”.


O Teatro Romano com capacidade para 6.000 espectadores, foi criado por Agripa no ano 24 d.c., está muito bem conservado e é um dos mais belos e imponentes monumentos que se podem visitar. O anfiteatro de grandes dimensões fica perto do teatro.


Esta foi a antiga capital da Lusitânia, aí chegados, visitámos o Teatro e Anfiteatro Romanos.


Visitámos a zona antiga da cidade, havendo a oportunidade de conhecer o Forum, o Templo de Diana e o Arco de Trajano.


Emérita Augusta antiga e próspera cidade foi capital da Lusitânia, fundada pelo imperador Augusto, no ano 25a.C., hoje capital da região Autónoma da Extremadura, contando actualmente com mais de 60.000 mil habitantes.
Desde 1993, que esta cidade foi declarada, pela UNESCO, como Património da Humanidade.



Museu Nacional de Arte Romano
O actual Museu Nacional de Arte Romano, veio a substituir o antigo Museu Arqueológico de Mérida, criado por um Real Decreto em 26 de Março de 1838.
A 19 de Setembro de 1986 foi inaugurado o edifício sede do actual Museu, obra de Rafael Moneo Vallés, expoente máximo da Romanização da Hispânia, explicada através das centenas de peças recuperadas dos campos arqueológicos de Mérida.
Centro investigador e difusor da cultura romana é hoje palco de congressos, colóquios, conferências, cursos, exposições e muitas outras actividades de âmbito nacional e internacional.

Salgueiro Maia: O Rosto da Liberdade

Salgueiro Maia: O Rosto da Liberdade


Esta é uma Banda Desenhada lançada pelo jornal "O Ribatejo", aquando das comemorações dos 25 anos do 25 de abril. Dá como principal rosto da revolução de 1974 o Capitão da Escola Prática de Cavalaria de Santarém, Fernando Salgueiro Maia. 

Se a BD constitui um género literário autónomo dos três clássicos que conhecemos (prosa, lírica e drama), podemos considerar que este livro conseguiu pegar convenientemente da figura de Salgueiro Maia, e enquadrá-la convenientemente no género literário que é a Banda Desenhada. Com efeito, vivemos nesta obra momento a momento, minuto a minuto aquela noite e aquele dia, desde a saída da EPC até à rendição de Marcello Caetano. 

Foi sem dúvida uma excelente iniciativa d' "O Ribatejo" a publicação desta BD sobre o 25 de abril e Salgueiro Maia. Uma mais que merecida homenagem ao homem que deu a cara por uma revolução, por um ideal, para acabar com "o estado a que chegámos", que, mesmo levando a sua avante, sempre foi ostracizado e menosprezado pelas elites militares e políticas do país que defendeu. 
Fonte:
http://aminhaleituras.blogspot.pt/2014/04/salgueiro-maia-o-rosto-da-liberdade.html

Museu Picasso abre em Setembro, em Paris


Picasso Museum - ParisEra suposto ter demorado pouco mais de um ano e ter custado 20 milhões de euros, mas afinal a remodelação e redefinição do Museu Picasso em Paris demorou e custou mais do que o previsto. Cinco anos depois chegam ao fim as obras e a data de abertura já está marcada: Setembro. Os herdeiros do pintor reclamam, no entanto, com o Governo francês por falhar a abertura em Junho, como estava inicialmente previsto.



The Musée Picasso - Paris

Um dia depois de Claude Picasso, que representa a família no conselho de administração do museu, ter exigido que o Governo francês abra a instituição dedicada à obra de seu pai em Junho como inicialmente previsto, a ministra da Cultura, Aurélie Filippetti, deixou bem claro que isso não vai acontecer. Em comunicado enviado à AFP, Filippetti escreveu que “já foi tomada a decisão de abrir o museu ao público em meados de Setembro”.
Fontes:
 http://www.publico.pt/cultura/noticia/museu-picasso-em-paris-reabre-em-setembro-apesar-da-polemica-com-os-herdeiros-do-pintor-1634602#/0
 http://www.paris-paris-paris.com/paris_landmarks/museums/picasso_museum_in_paris

segunda-feira, 5 de maio de 2014

O Texto Dramático - ficha de revisões

Leitura
Lê o texto com atenção e, de seguida, responde às questões com frases completas:

REI: Ah, meu bobo fiel, como eu às vezes gostava de estar no teu lugar, sem preocupações, sem responsabilidades…


BOBO: É para já Senhor! Toma os meus farrapos e os meus guizos, e dá-me o teu manto, a tua coroa, o teu cetro…


REI (agitado): Cala-te!... Era isso mesmo que se passava no sonho… A coroa… o manto… o cetro… tudo no chão… eu a correr, mas sem poder sair do mesmo sítio… e a coroa sempre mais longe, mais longe… e o manto… e o cetro… e as gargalhadas…


BOBO: Gargalhada? Não me digas que eu também entrava no teu sonho?


REI (como se não o tivesse ouvido):  … as gargalhadas delas… e como elas se riam… riam-se de mim… e a coroa tão longe… e o manto tão longe… e o frio… tanto frio que eu tinha!...


BOBO: Perdoa-me, senhor, mas isso são tolices, dizes coisas sem nexo… Foi alguma coisa que comeste ontem, tenho a certeza.


REI: Não são coisas sem nexo: são recados. Recados dos deuses. (Aproxima-se do bobo e diz-lhe ao ouvido) Tenho medo!


BOBO: Shiuu! NUNCA DIGAS ISSO! Já viste o que podia acontecer se os deuses te ouvissem? Se descobrissem que os reis também têm medo? Se descobrissem que os reis podem mesmo ficar a-pa-vo-ra-dos?


REI (afasta o bobo e retoma a sua dignidade real):Tens razão! Quem foi que aqui falou em medo? Eu sou o rei Leandro, rei do reino de Helíria! Tenho um exército de homens armados para me defenderem. Tenho um conselheiro que sabe sempre o que há de ser feito. Tenho espiões bem pagos, distribuídos por todos os reinos vizinhos, que me informam do que pensam e fazem os meus inimigos…


BOBO: Tens inimigos, senhor?


REI: Claro que tenho inimigos. Para que serve um rei que não tem inimigos?


BOBO: Realmente não devia ter graça nenhuma. Eu cá, de cada vez que me armam uma cilada e acabo espancado no pelourinho, também digo sempre: “Ainda bem que tenho inimigos, ainda bem que tenho inimigos”… se ninguém me batesse, se ninguém me cobrisse o corpo de pontapés, acho mesmo que era capaz de morrer de pasmo…


REI: Zombas de mim?


BOBO: Que ideia, senhor! Como posso zombar de ti, se penso como tu pensas?


REI: Parecia…                                                                               

 In Leandro, Rei da Helíria, Alice Vieira





  1. Na primeira fala, o rei Leandro manifesta um desejo.


1.1.         Indica-o, usando palavras tuas.


  1. “Tenho medo!”


2.1.        Apresenta a razão que motivou esse desabafo do rei.


2.2.        Esclarece a importância dos sonhos, na perspetiva do rei Leandro.


  1. O bobo tem como função entreter o rei e a corte.


3.1.        Transcreve uma fala do texto que comprove a afirmação anterior.


  1. Transcreve exemplos de didascálias em que sejam evidentes informações sobre:


4.1.        gestos das personagens.


4.2.        o estado de espírito das personagens.

5. Estabelece a correspondência correta entre os conceitos associados ao Teatro e a sua definição:


1. ator
a) conjunto de fatos usados pelos atores.
2. adereço
b) decoração da cena representada pelos atores.
3. cenário
c) artista que representa um papel na peça.
4. cenógrafo
d) aquele que põe em cena e dirige o espetáculo.
5. dramaturgo
e) aquele que recria e/ou realiza o cenário.
6. encenador
f) aquele que é responsável pela iluminação do palco.
7. luminotécnico
g) acessório das personagens e/ou do cenário.
8. guarda-roupa
h) autor de peças de teatro.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

A Vida na Corte do rei D. Dinis



"Dinis e Isabel, sobre o estrado coberto de colorido tapete mourisco e alteado cerca de palmo e meio sobre o pavimento, presidiam ao sarau, sentados em solenes cadeiras de espaldar (...) tendo ao lado o príncipe sisudo e curioso e a infanta de Castela, sua noiva.
Talhado pelo alfaiate real, esplendia o manto de el-rei de escarlate vermelha de Inglaterra, debruado a ouro e prata de gola emplumada de penas de aves e forrado a pele de arminho.
A figura da rainha impunha-se pela sua majestade. A cabeça resplandecia com os seus cabelos loiros envolvidos em doirada coifa de rede sobre a qual assentava a coroa (...) cravejada de esmeraldas. O manto de escarlate amarela, cor reservada às damas de alta linhagem, preso sobre o ombro com um rico medalhão punha a descoberto a veste de brocado branco bordada a ouro (...).
Os serviçais de copa ofereciam água às mãos que lançavam de jarros com água de rosas sobre bacias de prata."

Reconstituição de um sarau.
Desenho de H. Vanez
"Nas compridas mesas, (...) grandes escudelas (tigelas) e talhadores (travessas) abarrotavam de vitualhas: capões, pavões, perdizes, carneiros, cabritos, javalis cortados em largos nacos (...), empadas recheadas de variada caça... e entre outras iguarias belas talhadas de baleia de Atouguia (...). Para sobremesa, variadas frutas frescas e secas queijos, tigeladas, marmeladas e demais doçarias de mel e até algumas feitas com açúcar de Alexandria (...) que no tempo custava 50 vezes mais que o mel. Bojudos vasos transbordavam de vinho e hidromel.
Os jograis enchiam a sala. Alguns havia que traziam consigo soldadeiras mouriscas e bailadeiras que dançavam de braços erguidos acompanhando a música com passos de bailado, requebros de corpo e serpentear de braços."

Senhor, jogral e soldadeira.
Iluminura do séc. XIII.
Cancioneiro do Palácio da Ajuda, Lisboa.
A seguir vinham os bobos fazendo magias, palhaçadas acrobáticas e bobices...
Porém, a parte mais nobre do sarau era aquela em que se cantavam e diziam as canções dos trovadores ao som dos instrumentos de corda tangidos com o arco, dedilhados à mão ou elegantemente vibrados com longas penas de aves."
Trovador numa festa do Paço.
Iluminura das "Cantigas de Santa Maria", uma colectânea de poesia da corte do rei de Castela Afonso X, o sábio (séc. XIII).

Américo Cortez Pinto, Dionísios, Poeta e Rei
(adaptado)

Fontes:
http://www.ribatejo.com/hp/base/cgi-bin/ficha_quotidiano.asp?cod_quotidiano=4