sexta-feira, 8 de novembro de 2013

OS CONTOS TRADICIONAIS

ORIGEM: Antigamente, as pessoas, nos seus serões, contavam histórias irreais ou  verídicas, pois não tinham outra diversão. Geralmente essas histórias eram contadas à lareira.
O conto popular teve origem não nas camadas mais cultas da sociedade, mas sim no povo. Talvez venha daí o facto de não ser escrito, pois as pessoas, geralmente, não sabiam ler.
As pessoas mais velhas são os agentes de transmissão do conto. São elas que, normalmente, transmitem esses contos aos seus netos. Assim, o conto vai de geração em geração e muitas vezes é alterado, pois “Quem conta um conto acrescenta um ponto”.
O conto é pois, uma narrativa com raiz na tradição oral. O seu relato ocorria, em geral, num ambiente comunitário, ao serão.

CARACTERÍSTICAS: O conto prende-se pois, com o povo e com a população mais rural, menos «letrada».
A estrutura, basicamente, desenvolvia-se em cinco momentos: 
          . a  apresentação da situação; 
          . o acontecimento perturbador; 
          . os acontecimentos e peripécias passados pelo herói 
          . o desaparecimento do motivo perturbador 
          . a conclusão.

As personagens principais são, de um modo geral, anónimas e poucas, envolvendo classes sociais diferentes; reduzem-se muitas vezes a  três elementos: a heroína, o herói e  o elemento representativo do mal (fada, bruxa ou velha).

O espaço e o tempo são muito vagos ou quase nulos; são indefinidos e indeterminados.

O encantamento e a simbologia dos nomes e dos números impõem-se no evoluir das histórias (é constante a referência ao número três). Uma das características do conto é a presença do maravilhoso: é característico haver dragões, fadas, feiticeiras, bruxas...

Os contos também têm uma característica muito importante: a moralidade (que muitas vezes pode ser expressa em provérbio). Nela assistimos sempre ao triunfo do Bem sobre o Mal.
Os contos que, normalmente, são contados às crianças são muito importantes, pois têm uma dupla função, lúdica e didáctica, ou seja, elas podem divertir-se e aprender ao mesmo tempo. Destinavam-se, sobretudo, a passar uma mensagem moralizadora, mas também a divertir e entreter o núcleo familiar, os amigos e vizinhos.

EVOLUÇÃO: O conto passa a ser reconhecido literariamente como género narrativo bastante tardiamente. Mas já no séc. XVI, em França, Perraut reunira alguns contos tradicionais, passando-os às à escrita. 
No séc. XIX, os Irmãos Grimm, na Alemanha, ou Teófilo Braga e Almeida Garrett, em Portugal, fizeram o mesmo, publicando muitas histórias que até aí não tinham sido escritas. No entanto, mantém características de conto popular como, por exemplo, a curta extensão, o teor moralizante, a concentração do espaço e do tempo e o número reduzido de personagens.

Conto Popular - O que é o conto popular.

O que é um conto popular?

Também conhecido como conto tradicional, é um texto narrativo, geralmente curto, criado e enriquecido pela imaginação popular e que procura deleitar, entreter ou educar o ouvinte. A sua origem perdeu-se no tempo. Ninguém é dono e senhor dos contos populares. Por isso, cada povo e cada geração contam-nos à sua maneira, às vezes corrigindo e acrescentando um ou outro pormenor no enredo. Daí o provérbio: “Quem conta um conto acrescenta um ponto”.
Fontes:


sábado, 2 de novembro de 2013

Ficha sobre recursos expressivos- excertos tirados da obra "História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar"


Ficha sobre recursos expressivos- excertos tirados da obra História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar


Sabendo que História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar, de Luís Sepúlveda, se trata de uma obra cujas personagens são animais, o recurso expressivo dominante é, sem dúvida, a personificação. Descobre outros, associando os recursos no quadro a cada excerto retirado da obra, todos da primeira parte (atenção- um excerto pode conter mais que um recurso):


enumeração metáfora perífrase ironia
comparação assíndeto eufemismo adjetivação


1. “Cento e vinte corpos perfuraram a água como setas (…)” (I. 1)

2. “Saborosos arenques, Saborosos e gordos.” (I.1)

3. Seriam então umas mil gaivotas que, como uma nuvem cor de prata, iriam aumentando com a incorporação (…)” (I.1)

4. “O gato grande, preto e gordo olhava para ele com atenção, sentado no peitoril da janela, o seu lugar favorito.” (I.2)

5. “Que bolachas deliciosas, estaladiças e a saber a peixe!” (I.2)

6. “(…)ainda lhe mantinha sempre limpo o caixote de areia onde aliviava o corpo(…)”(I.2)

7. “O leite da mãe era morno e doce, mas ele queria provar uma daquelas cabeças de peixe que a gente do mercado dava aos gatos grandes.” (I.2)

8. “Mas Zorbas, que naquela altura era assim como uma bolinha de carvão, saiu do cesto.”(I.2)

9. “Quatro semanas para preguiçar pelos cadeirões, pelas camas, ou para ir até à varanda, trepar ao telhado, saltar de lá para os ramos do velho castanheiro e descer pelo tronco até ao pátio interior(…)” (I.2)

10. “(…)compreendeu que a maldição dos mares lhe obscurecia a visão.” (I. 3)

11. “Kengah, a gaivota de penas cor de prata, mergulhou várias vezes a cabeça, até que uns clarões lhe chegaram às pupilas cobertas de petróleo.” (I.3)
12. “Atiravam ao mar milhares de litros de uma substância espessa e pestilenta que era arrastada pelas ondas.” (I.3)

13. “Viu também alguns barcos movendo-se como diminutos objetos sobre um pano azul.”(I.3)

14. “Kengah compreendeu que as forças não lhe iam durar muito e, procurando um lugar onde descer, voou terra adentro, seguindo a serpenteante linha verde do Elba.” (I.3)

15. “Kengah olhou para o céu, agradeceu a todos os bons ventos que a haviam acompanhado e, justamente ao exalar o último suspiro, um pequeno ovo branco com pintinhas azuis rolou (…)” (I.4)

16. “Zorbas desceu rapidamente pelo tronco do castanheiro, atravessou o pátio interior a toda a pressa para evitar ser visto por uns cães vagabundos, saiu para a rua, assegurou-se de que não vinha nenhum automóvel, atravessou-a e correu na direção do Cuneo, um restaurante italiano do porto.” (I.5)

17. “─ Ai compadre! Está a ver o que eu estou a ver? Ai que gordinho tão lindo ─ miou um.” (I.5)

18. “Estendeu lentamente a pata da frente, pôs de fora uma garra tão comprida como um fósforo e aproximou-a da cara de um dos provocadores.” (I.5)

19. “Nas três casas, unidas por passadiços e escadas estreitas, havia perto de um milhão de objetos, entre os quais há a destacar os seguintes: 7200chapéus de abas flexíveis para que o vento os não levasse; 160 rodas de lemes(…); barcos enjoados de tantas voltas que deram ao mundo; 245 lanternas (…)” (I.6)

20. “Colonello, Sabetudo e Zorbas observaram o corpo sem vida da gaivota (…) (I. 8)

Proposta de correção
1. comparação

2. adjetivação

3. comparação

4. adjetivação

5. adjetivação

6. eufemismo

7. adjetivação

8. comparação

9. assíndeto

10. metáfora

11. perífrase

12. adjetivação
13. comparação

14. assíndeto. metáfora

15. assíndeto, eufemismo

16. assíndeto

17. ironia

18. assindeto, comparação

19. enumeração

20. eufemismo

Fonte:
 
 

"O Cavaleiro da Dinamarca" de Sophia de Mello Breyner Andresen

O Cavaleiro da dinamarca - Lê e estuda a obra.


O Cavaleiro da Dinamarca é uma obra fantástica que te apresenta o percurso de um Cavaleiro que decide fazer uma peregrinação à terra santa.



Naquele tempo as viagens eram longas, perigosas e difíceis, e ir da Dinamarca à Palestina era uma grande aventura. Quem partia poucas notícias podia mandar e, muitas vezes, não voltava...



In O Cavaleiro da Dinamarca, de Sophia de Mello Breyner Andresen
Será que vai conseguir regressar a casa e cumprir a promessa que fez?
http://www.slideshare.net/GiovaniOliveira/o-cavaleiro-da-dinamarca



http://www.slideshare.net/luiscontente/cavaleiro-da-dinamarca-15466686

Cavaleiro da Dinamarca

http://www.slideshare.net/mdaniela/o-cavaleiro-da-dinamarca-roteiro-de-uma-viagem-7-ano

O Cavaleiro Da Dinamarca   Roteiro De Uma Viagem



Fontes:
http://cavaleirodinamarca.webs.com/

http://viagensliterarias.wordpress.com/2009/12/13/o-cavaleiro-da-dinamarca-de-sophia-de-m-b-andersen-lp-7%c2%baano/

http://oprofessortiraduvidas.blogs.sapo.pt/274116.html

http://www.colegioportugal.pt/cavaleiro_da_dinamarca_7.htm

http://textosintegrais.blogspot.pt/2013/02/teste-de-7-ano-cavaleiro-da-dinamarca.html


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O Novo Mundo-Um filme bom para o 6º e 8º anos

O Novo Mundo
O Novo Mundo
  • Lançamento
     (2h15min)
  • Dirigido por
  • Com
  • Género
  • Nacionalidade
  • Sinopse

    No início do século XVII poucas mudanças haviam ocorrido na América do Norte. Apesar de ter sido descoberto em 1492, o continente continuava a ser uma grande área de mata primitiva, aparentemente interminável, habitada por várias tribos indígenas.
  •  Em 1607, três embarcações inglesas, financiadas pela London Virgínia Company, partem ao longo do oceano atlântico rumo a novos territórios, na esperança de encontrarem os lendários tesouros e ouro.
  • Ao desembarcarem em James River, na Virgínia, estabelecem a colónia de Jamestown. A maioria dos 103 colonos do grupo original, eram aristocratas mal preparados para as condicionantes do Novo Mundo, pelo que as condições de vida na colónia se degradam ao ritmo que se desvanece a esperança de encontrar ouro...
  • A história começa em Abril de 1607 quando as três pequenas naus, que levavam 103 homens, partem da Inglaterra para este mundo pouco conhecido, com o objectivo de estabelecer nele raízes culturais, religiosas e económicas.
  • No navio Susan Constant, o principal da frota, está John Smith (Colin Farrell), um homem de 27 anos que foi condenado à forca por insubordinação e está agora acorrentado  na parte de baixo do convés. Quando o navio aporta John é libertado pelo capitão Christopher Newport (Christopher Plummer), que considera que seus talentos podem ser úteis para que a tripulação sobreviva neste mundo desconhecido.
  • Os navios ingleses aportam, sem saber, no meio de um império indígena sofisticado, que é governado por Powhatan (August Schellenberg). Os ingleses enfrentam dificuldades para se adaptar a este novo mundo, o que faz com que John busque ajuda junto dos homens da tribo local. É quando ele encontra uma jovem impulsiva e voluntariosa, apelidada pela família e amigos de Pocahontas (Q'Orianka Kilcher), que é também a filha preferida de Powhatan. Em pouco tempo surge a paixão entre John Smith e Pocahontas, o que faz com que eles tenham que enfrentar a resistência de ambos os lados.
  • Vê o filme:
  • Fontes:

sábado, 26 de outubro de 2013

As minhas sereias - Exposição Arte e Literatura "A Menina do Mar"

Sereias na Caldeira Velha - em casa de Maria Manuela Marques 

Sereia de Odeceixe.


Sereia do Carvalhal.

Sereia de Santo André.

Sereia de Sines - reservada para Isabel Cruz.

A Menina do Mar.

Sereia de Porto Covo - reservada para Isabel Cruz.

Paixão pelo mar - reservado para Carla G.

Sereia de Milfontes

Sereias do Farol do Cabo Sardão.
Técnica mista.

Sereias do Cabo Sardão

Sereias da praia da Carraca

Sereias da praia de Fernão Veloso, da praia do Sousa e da praia de Relamzapo

Sereia de Nacala


A sereia da Zambujeira - em casa de Irene.

A sereia-princesa Peralta - 48X30 - em casa de Cristina Amaral.

Sereia de Vilamoura - em casa de Margarida Soares Franco e Sereia de Armação de Pêra - Em casa de Maria Manuela Marques.


Sereia do Ilhéu - em casa de Jorge Silva.

Mar dos Açores


Exposição Arte e Literatura na Escola - "A Menina do Mar".
Tinha prometido levar os Artistas do Clube das Artes a visitar exposições e eles gostaram.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Professor de História defende o silêncio de volta às escolas. É autoritário e não se importa que os alunos não gostem dele. Basta gostarem das aulas

 

Mithá Ribeiro. "Estou fisicamente preparado para actuar se um aluno desobedecer"
 
 
Licenciado em História e especializado em estudos africanos, Gabriel Mithá Ribeiro gosta ainda de entrar em outras áreas como sociologia ou psicanálise para entender melhor o pensamento social. Daí não ser estranho ouvi-lo sobre temas tão distintos como educação. Até porque já deu aulas durante duas décadas em escolas "ditas difíceis" e, segundo ele, só quem conhece bem a sala de aula tem condições para estudar e investigar a realidade escolar e ainda propor políticas no ensino. Mithá Ribeiro é um dos convidados da Fundação Francisco Manuel dos Santos que a partir de hoje e durante o resto da semana vai animar o debate online "Onde acaba a indisciplina e começa a violência", que acontece em simultâneo com as conferências em Lisboa e Braga "A Indisciplina na Escola" nos dias 17 e 18.
"Onde acaba a indisciplina e começa a violência" é o mote do debate em que vai participar. Existe uma fronteira?
É muito difícil separar a indisciplina da violência. O problema sério nas escolas é a indisciplina. E o problema seríssimo é a pequena indisciplina.
Porque é a recorrente?
E porque é a que tem de se combater no início. Dei aulas no 3.o ciclo e secundário durante 20 anos em 11 escolas ditas difíceis da margem Sul e sei que a violência não é um problema maior. Não digo que não existe, digo que é empolada. O alvo da questão é a indisciplina. Ou se resolve ou vamos continuar a enfrentar um dos obstáculos mais estruturais do ensino.
Há dificuldades em assumir que este é um problema grave nas escolas?
Para percebermos os problemas que condicionam o sistema de ensino, temos de partir da sensibilidade da sala de aula, que é onde tudo acontece. Mas toda a sensibilidade que condiciona as políticas e as teorias de educação é gerada de cima para baixo. Quanto mais distantes estão as pessoas das salas de aulas, mais poder têm para condicionar o ensino. Há até directores que estão décadas sem dar aulas e são uma correia de transmissão do que vem de fora para dentro em vez de levar a sensibilidade da sala de aula para fora. Se a sala de aula fosse o factor condicionante do pensamento e da definição de políticas de ensino, há muito que a indisciplina se tinha revelado um problema central. Além da falácia dos directores, há a falácia dos professores universitários. É completamente diferente ser professor do superior e do básico e secundário. As teorias aplicadas no básico e secundário vêm do ensino superior sem nunca terem sido testadas no próprio ensino superior. Se fossem, saberiam as asneiras que fazem.
Que asneiras?
A forma como se mexe nos currículos ou se faz as reformas. Tem de haver uma relação directa entre a prática quotidiana de dar aulas e a teorização. A estrutura universitária trata dos problemas do ensino sem saber o que é o ensino. É uma espécie de bloqueio que, se calhar, nem em cem anos vamos resolver. Mas é preciso alguém dizer que o único que pode teorizar e propor políticas a sério é quem conhece a sala de aula. Mas é tão errado alguém que só está na sala de aula e não tem teoria para explicar a vida da sala de aula como o oposto.
Porque só se reage perante a violência?
Porque o ruído tornou-se tão normal que só reagimos quando se ultrapassa o nível do ruído. O silêncio é o aspecto que mais casa com a construção do conhecimento, mas foi banido das escolas. O ruído foi naturalizado nas aulas e incentivado pelos pedagogos que defendem a participação, a permanente actividade dos alunos.
Silêncio quer dizer reflexão?
Quer dizer adesão voluntária das pessoas à introspecção, à tranquilidade. Muitos professores queixam-se da indisciplina porque optaram por modelos pedagógicos participativos, que dão muito poder ao aluno. O modelo participativo tem virtudes mas também tem problemas e um deles é incentivar a indisciplina. Se percebermos que a disciplina é central vamos perceber também que o modelo autoritário directivo consegue mais eficazmente impor o silêncio. Mas passou-se de um modelo autoritário da ditadura para uma ditadura da democracia que impôs o modelo participativo. Quem hoje defender o modelo autoritário parece que está a cometer um pecado capital.
Criar empatia ou proximidade com os alunos promove a indisciplina?
Os dois modelos devem coexistir, mas todo o aparelho ideológico torna uma abordagem legítima e a outra ilegítima. E quem constrói este aparelho é quem não dá aulas. Se dessem, percebiam o erro que é não incentivar o modelo autoritário. Sou um professor autoritário, mas para isso beneficio de duas vantagens que são vergonhosas de dizer num estado civilizado. Uma: sou homem e posso ser fisicamente afirmativo. Se um aluno desobedecer à minha ordem estou preparado para actuar. Não dou aulas sem estar fisicamente bem preparado - faço jogging, exercício, etc.
O Estado Novo exigia aos professores um atestado de robustez física.
Assumo a robustez física como condição de sobrevivência na sala de aula. Por outro lado, ser negro é uma grande vantagem para lidar com minorias. A maioria do corpo docente são mulheres de etnia portuguesa. Se alguém estiver interessado em perceber o que é a violência sobre as mulheres é entrar numa sala de aula. Combater a violência contra as mulheres é combater a indisciplina nas escolas. Mas o que temos é um discurso académico politicamente correcto que, ao mesmo tempo que defende a condição da mulher, defende exageradamente a condição do aluno que massacra essa mulher. Os governos passam e este problema arrasta-se. Devíamos ter vergonha disso.
Voltemos à empatia. Não faz falta?
O ensino assenta em três pilares - conhecimento, professor e aluno - e nós passámos de um ensino erradamente centrado no professor para um ensino ainda pior centrado no aluno. O referencial tem de ser o conhecimento pois ao ser abstracto cria obrigações para docentes e alunos. A empatia na sala de aula não é entre aluno e professor. Não quero que os alunos gostem de mim. Quero que gostem da História que ensino. Não preciso de gostar deles. Basta ter paixão por aquilo que ensino.
É errado centrar o ensino no aluno?
Se o ensino é centrado no aluno e o aparelho ideológico prepara as pessoas para isso, fica essa marca no subconsciente. Quando o professor entra na aula e no subconsciente dele está a ideia de que o ser mais precioso é o aluno, vai remover tudo o que o atrapalha: a ordem, o esforço e, às vezes, o conhecimento. Se na cabeça dele está sempre a martelar que o conhecimento é o mais importante, facilmente remove aquilo que atrapalha o conhecimento, como por exemplo alunos mal comportados. É o ruído que tem de sair porta fora. O ensino centrado no aluno é um dos fundamentos da indisciplina, mas outro é o estatuto do aluno.
Mas o actual até é mais punitivo.
É no papel. Digo que o estatuto do aluno é uma fonte de indisciplina porque quando se quer regular relações sociais a partir de documentos escritos é preciso que tenham valor social e simbólico, que só se adquire depois de muitos anos, gerações. Leis que regulam comportamentos têm de ser estáveis para entrarem na cabeça de alunos e de professores. Quando as regras são estáveis também contaminam as famílias, a comunidade e tudo o resto. O que se fez nos últimos 20 anos com os sucessivos estatutos do aluno foi matar a possibilidade de se resolver problemas a partir de documentos escritos.
E qual é a solução?
Dar poder à palavra do professor para que resolva o problema da indisciplina como entender. Nem que fosse uma medida temporária para higienizar a função do documento escrito, dos estatutos.
Dar a palavra aos professores implica reconhecer também a sua autoridade.
E enquanto não se confiar nos professores, o problema da indisciplina não se resolve. Só que, incrivelmente, quem não confia nos professores são os cientistas da educação, sempre a emitir regras sobre como trabalhar, o que fazer e não fazer.
Essas regras condicionavam-no?
Comecei tão incompetente como qualquer professor. Ao fim de uns anos, cortei completamente com o chamado ensino auto: o ensino em que não é o professor que ensina é o aluno que aprende, não é o professor que dá nota é o aluno que auto-avalia e não é o professor que impõe regras é o aluno que negoceia essas regras com o professor. Nas minhas aulas, eu ensino e os alunos aprendem. Nunca promovi auto-avaliação dos alunos e nesse aspecto fui contra a lei. Se sei que é uma fonte de perda de autoridade porque vou por esse caminho?
Que regras impunha?
As mesmas que a mim mesmo. Chegar a horas, trazer material, estar quieto e calado. Depois, nos primeiros 15 ou 20 minutos de aula sou eu que falo. É a parte da aula autoritária e expositiva. Não admito interrupções. Se permito uma pergunta e respondo, voltarei a ser interrompido e já não saio do mesmo lugar. Os alunos tomam notas, memorizam e tiram dúvidas no fim.
E correu sempre tudo bem?
No início do ano há sempre uns espertos que querem interromper. A minha reacção é dizer "Pegue nas suas coisas e rua!" O maior trunfo do professor é o dom da palavra. Se um docente não impõe silêncio nos primeiros 15 minutos da aula, vai andar 20 anos sem saber construir uma frase pois nunca treinou o direito que tem de falar. O ensino participativo não percebe a importância da palavra. Se imponho 20 minutos - e às vezes 90 - para expor a matéria, ao fim de uns anos já sei seduzir pela palavra - entoar, baixar a voz, contar histórias. Isto é muito exigente. Para expor a matéria durante 20 minutos é preciso estar bem preparado. Para dar uma aula de 90 minutos com os alunos quietos e calados tenho de saber contar muito bem a história. Parte da culpa é também dos professores, que gostam de ser intelectualmente preguiçosos. Hoje nenhum professor é autoritário se não for competente no domínio do conhecimento. Se os alunos percebem que sabemos o que estamos a ensinar, acatam as regras mais radicais que possam imaginar. Chegava a pôr na rua o mesmo chico-esperto todos os dias. Ao fim de um mês, chegava a dizer ao aluno que ele já estava chumbado.
Desistia dele?
Ou quero salvar todos e vou perder todos ou castigo um ou dois e salvo 20 e tal. Já expulsei alunos para sempre da minha sala.
Isso é contra a lei?
Toda a escola sabia, os pais sabiam, mas nunca ninguém contestou. Sabe porquê? Havia silêncio e os alunos aprendiam.
No seu livro "A Pedagogia da Avestruz", admite que teve atitudes radicais.
Tive um aluno que ficava à porta da sala a gozar enquanto os colegas entravam. Um dia em que entrou, agarrei-o com a toda a força e rebentei-lhe a camisa e só não lhe bati? Ficou de tal maneira assustado que nunca mais apareceu nas minhas aulas. Nesse ano tive o meu carro riscado de ponta a ponta. Mas nunca contestei. É o preço a pagar. Mas há outros focos de indisciplina como é o caso do currículo, que promove a instabilidade das regras e não permite ter uma ideia clara do que é uma aula. Um aluno entra numa aula de 45 minutos, sai e entra noutra de 90, a seguir vai almoçar e tem outra de 45. Essa inconstância torna impossível sedimentar na cabeça dos alunos as regras para estar numa aula. Com tantos especialistas em educação é incrível que não se tenha percebido que a ideia estável de aula corresponde à ideia estável de comportamento.
As famílias são empecilhos?
São empecilhos e criaram uma confusão entre o papel do professor e o papel do pai, o papel do aluno com o papel do filho. Isto foi terrível no plano da autoridade. A escola abriu-se à comunidade de tal forma que agora qualquer um se sente com autoridade para dizer o que os professores deviam ensinar. Quando a escola se fechar sobre ela própria, não terá de se justificar o porquê das regras que aplica.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Onomatopeias, palavras que imitam os sons e ruídos da Natureza, sons de objectos e as vozes dos animais!

Onomatopeia

Onomatopeia: significa imitar um som com um fonema ou palavra. Ruídos, gritos, canto de animais, sons da natureza, barulho de máquinas e o timbre da voz humana fazem parte do universo das onomatopeias.
Exemplos:
Aaai! – grito de dor
Ah! – grito de surpresa, dor, medo, pavor ou descoberta
Ah! Ah! Ah! – risada ou gargalhada
Ahhh! – Aaah!, alívio
Ahn! – choro Arf! – animal arfando, ofegante
Argh! – nojo
Atchim ou ahchoo! – espirro


Bah! – desagrado
Bam! – tiro de revólver
Bang! – tiro
Baroom! Baruuum! - trovões ou explosão de bomba atômica
Baw! ou buá! – choro
Bóim – batida na cabeça com objeto
Bawoing! - corda de aço após soltar flecha.
Bash! ou bow – queda
Bbrrzz! – sintonia de rádio
Beep! – bip, ruído eletrônico
Biff! – soco no queixo
Blah! baaa! buuu! – zombaria
Blast! bruum! – explosão
Bleahh! – zombaria
Bonc! bou! – cabeça com cabeça
Boom! bum! – tiro, explosão
Boomp! – choque por queda
Boot! tum! – pontapé traseiro
Booo! uuu! – vaia
Bounce! bóim! – mola soltando, animal pulando
Brrr! – sensação de frio
Brrr booom! – trovão
Buow! – choro
Burp! – arroto
Buzzz! bzzz! – abelha voando; cochicho



Chomp! nhoc! nhac! nhec!- mastigar
Chop! tchap! tchape! tchope! – chapinhar, patinar, chafurdar na lama
Clang!, blém!, blém! – batida em objeto metálico
Clap! clap! Clap! plec! plec! – palmas
Click clic! – ligar ou desligar
Clink! plic! – piscar de olhos
Clomp! tlum! vap! vop! – animal grande abocanhando objeto ou comida
Coff! oss! uss! – tosse por asfixia.
Crack! prac! prec! – quebrando
Crash! Praaa! – objeto grande se chocando com outro; estouro
Crunch! croc! – mastigar torradas

Ding! dim! plim! trim! – campainha
Drip! pim! ping! plim! plic! – gota
Dzzzt! bzzzt! – vôo curto de abelha; rápido cochicho; ruído no processo da solda elétrica

Eeek! ic! – soluço
Er... Ahn ... – indecisão

Gasp! Ufa! – cansaço
Glub! glub! Glub! blub! glug! – líquido sendo engolido; beber água
Grrr! – animal ou pessoa grunhindo
Gulp! glup! – engasgo

Ha! Ah! Ah! – riso de satisfação, gargalhada
Hã? Huh? hein? – interrogação
He! he! he! eh! eh! rê! rê! – risinho de satisfação
Hmmm hum... – reflexão
Honk! fom! fom! – buzina
Hoot! uuu! – vaia
Hum! – satisfação

Ih! ih! ih! ih!, ri! ri! ri! – riso ridículo
Ioo-hoo! iu-uu!, u-uu! – chamamento a distância

Ka-boom! ta-bum! – bomba
Klunk! clunc! plunc! tlunc! – ruído surdo de objeto caindo
Knock! Knock! toc! toc! – batida

Meow! miau! – miado de felino
Mmm! huuum! – satisfação; reflexão; espanto, dúvida; mente trabalhando
Mooo! muuu! – mugido de búfalo
Munch! chomp! – mastigada de animal grande

Oof! ufa! – suspiro de cansaço ou dor
Oops! upa! epa! – espanto; medo; surpresa
Ouch! ai! – grito de dor
Ow! ouch! – desabafo de dor

Pat! pat! tap! tap! – tapinha carinhoso
Pfft! pfft! phfpt! – cuspir; desprezo
Ping! – gota caindo
Plomp plom! – fruto caindo de árvore
Plop! poc! pok! – batida em objeto oco; coaxar de sapo; perna de pau
Poof! puf! – desaparecer de repente.
Poof! puf! – cansaço
Pow! pou! – soco
Psst! – expulsar ou chamar atenção

Rat-rat-rat! rá-tá-tá! ratataaá-tá – metralhadora
Rawww! Grrr-ou! – rugido de gorila
Riiinch! – relincho
Ring! ding! – campainha tocando
Rip! – rasgando; tesoura cortando
Roar! rawww! – rugido

Screeech! iééé! – freada de carro
Sigh! ai-ai! – suspiro
Slam! blam! – porta batendo
Slop! blob!, blab! – pessoa ou animal babando
Slurp! lamb! – lambida
Smack! vjjj! – estalado; Mmm!, beijo
Smash! paft! plaft! – tapa, bofetão; esmagamento; amassamento
Snap! tlec! – estalar os dedos
Snip-snip! rasg! riip! – rasgar
Snore! ron! ronc! – roncar
Snort! – ronco
Sniff! fniff! chift! – aspirar, fungar; cão ou outro animal farejando uma pista
Sob! ahn! – choro
Soc! pow! sock! – porrada
Splash tchá! chuá! – pessoa ou objeto caindo na água
Splait splash! – queda na água; salto de trampolim
Splop! ploc! ploct! plop! – queda de objeto oco
Sssss! Ssss! – objeto queimando; silvo da cobra
Swat! zip! – objeto arremessado; fecho éclair
Swish! tchuf! – pistola de água; esguicho
Swooish! fuiiim! vuum! zum! – algo cortando o ar rapidamente; zunindo

Tatata! tarará! – corneta
Thud! tum! – pancada surda
Thwack! plaft! pleft! – chicotada
Tickle! tic! tic! tic! – cócegas
Tic-tac – mecanismo de relógio
Tick-tock – tic tac do relógio; torneira pingando
Tingeling! blim-blém! blim-blom! – campainha moderna; sinos tocando
Toing! tóim! bóim! póim! – mola se desprendendo; personagem pulando
Trash! trá! pra! – objeto se partindo; lixo caindo
Trim! trim! prim! – toque de telefone
Tsk! tss-tss! – risadinha entre os dentes; desprezo; abrir uma tampa de garrafa de bebida

Ugh! Ug! – exclamação
Uh-HuH! ã-hã! – assentimento
Uhn! hã! – surpresa
Ungh! – choro

Va-voom! – objeto cortando o ar
Vop! – objeto passando rápido no ar
Vrom! brum! – arranque de carro

Wap! vap! – golpe com objeto
Whack! pow! – porrada; golpe
Wham! bam! – batida de porta
Whap! vapt! – objeto zunindo no ar e atingindo o alvo; porta batendo
Wheee! fiii! – bomba caindo
Whew! uf! – suspiro de alivio ou expressão de cansaço; expiração
Whiz! zim! tzim! – zunido; ricochete de balas
Whomp! vump! – queda
Whoosh! swooish! – ar sendo rasgado por objeto em velocidade
Wow! uau! – exclamação, admiração

Yeow! uai! – exclamação; espanto
Yeowtch! – exclamação
Yipe! ai! – dor

Zak! vap! – pancada, cutelada
Zap! – choque elétrico
Zing! zim! – sibilar da flecha
Zip! vuup! vap! – zunido de objeto arremessado; golpe súbito; zíper fechando
Zok! pof! tou! – pedrada na cabeça
Zoom! zum! zoop! – movimento rápido
Zowie! zum! – zumbido
Zzz! – zumbido de inseto

Fonte:

http://www.marel.pro.br/onomat.htm