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quinta-feira, 3 de julho de 2014

Finalmente tive a sorte de ver um concerto do FAUSTO BORDALO DIAS

Sou admiradora dele há uns 30 anos e só há pouco tempo assisti a um concerto ao vivo e de borla nas Festas de Lisboa.
Fausto Bordalo Dias, representante da música e da cultura em português, propôs-se, neste espectáculo, a revisitar os discos que compõem a sua trilogia sobre a diáspora lusitana: Por este rio acima, Crónicas da terra ardente e Em busca das montanhas azuis.
 Estes trabalhos são considerados uma referência dentro da música popular portuguesa. Fausto compõe cada álbum de originais como quem conta uma história, da primeira à última canção. 
Dizem os seus admiradores que cada um dos seus discos devia ser escutado “de guião em punho”, como quem vai à ópera. “Por favor, leiam estes discos!”, diz o jornalista e crítico Viriato Teles.
Foi maravilhoso!



Carlos Fausto Bordalo Gomes Dias nasceu em 26 de Novembro de 1948, em pleno oceano Atlântico, a bordo de um navio chamado «Pátria» que viajava de Portugal para Angola. Foi nesta antiga colónia portuguesa que passou a infância e adolescência e começou a interessar-se por música.

Filho de beirões, assimilou os ritmos africanos a que juntaria, mais tarde, os das suas origens lusas.

O primeiro grupo de que fez parte chamava-se Os Rebeldes e cultivava, naturalmente, a música pop da altura.

Em 1968, com 20 anos, fixou-se em Lisboa para iniciar os estudos universitários (é licenciado em Ciências Sócio-Políticas e frequentou um mestrado de Relações Internacionais) e foi no âmbito do movimento associativo que se revelou como cantor, aproximando-se rapidamente do movimento que já integrava então nomes como José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Manuel Freire ou Vieira da Silva – juntamente com José Mário Branco ou Luís Cília, que viviam no exílio – e que teve um importante papel político e cultural na resistência aos últimos anos do fascismo e no processo revolucionário iniciado com o 25 de Abril de 1974.

É impossível dissociar o seu nome de discos tão fundamentais da música portuguesa contemporânea como «Por Este Rio Acima», «O Despertar dos Alquimistas», «Para Além das Cordilheiras», «A Preto e Branco» ou «Crónicas da Terra Ardente». Com Fausto, é toda uma viagem pelo universo dos sons, da memória colectiva, do sentir mais profundo que nos une enquanto comunidade(s).
http://www.festasdelisboa.com/2014/evento/fausto-bordalo-dias/#floating_FacebookLIKE

http://centraldeartistas.pt/index.php?option=com_mtree&task=viewlink&link_id=167&Itemid=0

terça-feira, 27 de maio de 2014

Bonga - um grande artista que não nos deixa parar de dançar

Biografia

Barceló de Carvalho, mais conhecido por Bonga, nasceu a 5 de Setembro de 1942, em Kipiri, na província do Bengo, a norte de Luanda, em Angola.
Em 1966, Bonga foi viver para Portugal como atleta de alta competição do Sport Lisboa e Benfica, consagrando-se várias vezes campeão na modalidade de atletismo, em 100, 200 e 400 metros.
Portugal vivia na ditadura salazarista e Barceló, aproveitando o seu estatuto de atleta recordista começa a passar mensagens entre conterrâneos que lutam pela independência em Angola. Por ter sido descoberto pela PIDE, vê-se obrigado a fugir de Portugal para a Holanda.
Neste país lança o seu primeiro álbum, em 1972, denominado "Angola 72", cantando músicas revolucionários e de amor à pátria. A partir de então, passa a chamar-se Bonga Kuenda, que significa “aquele que vê, aquele que está à frente e em constante movimento”.
Nesta altura, já "Angola 72" estava proibido em Portugal, mas nem por isso a luta contra o colonialismo e a discriminação racial deixam de ser o foco de Bonga, cantando em bom africano de forma a propagar as suas raízes angolanas, para que o mundo as reconheça e respeite. 
Era esta a grande força que movia o artista naquela altura, tanto que em 1973 dá o seu primeiro concerto nos Estados Unidos, reverenciando a cultura lusófona pela independência de Guiné-Bissau. 
Durante o decorrer da guerra colonial, Bonga recebe o estatuto de embaixador da música angolana. Com o 25 de Abril, lança o novo CD Angola 74 e no consulado português de França, regista o seu nome artístico como Bonga Kuenda.
Os anos 80 são considerados a época áurea do artista. Barceló torna-se no primeiro cantor africano a actuar a solo no Coliseu dos Recreios, bem como o primeiro africano disco de Ouro e Platina em Portugal. Espalhando o seu sucesso no Apolo em Harlem, no S.O.B. de Nova Iorque, no Olympia de Paris, na Suíça, no Canadá, nas Antilhas e em Macau.
Em 1988, volta novamente a viver em Portugal, onde desta vez se torna recordista de vendas provando o seu sucesso como músico angolano em terras portuguesas.
Já assisti a quatro concertos do Bonga e tive imenso prazer em conhecê-lo pessoalmente.

Fontes:
http://afro-music.sapo.ao/index.php/bonga

sábado, 7 de dezembro de 2013

Mapa Etno-Musical - Viagem a Portugal através da música


De nota em nota, de instrumento em instrumento, de voz em voz, calcorreando o país através das suas tradições musicais. Na bagagem segue o Mapa Etno-Musical, um projecto no âmbito do Instituto Camões e coordenado pelo músico Júlio Pereira. Aqui, os caminhos fazem-se no virtual, conhecendo as sonoridades de Portugal de Norte a Sul, sem excluir os arquipélagos dos Açores e Madeira.



Mapa Etno-Musical português é o nome da iniciativa que pretende guardar para a posteridade, acessivel a todos os interessados, uma parte da música tradicional portuguesa. O projecto, depois de 20 anos de existência em formato papel, ganha agora vida na Internet, através da iniciativa do Instituto Camões (IC).

O músico Júlio Pereira, mentor do projecto, desenhou como capa de disco, que editou no início dos anos 90, um mapa de Portugal, decorado com os instrumentos tradicionais portugueses. Os sons destes instrumentos ganhavam vida no disco, interpretados pelo músico.

Duas décadas passaram e o mapa do país «jardim da Europa à beira mar plantado», como poetizou Tomás Ribeiro, político, publicista, poeta e escritor no período ultra-romântico português, no final do século XIX, foi aperfeiçoado e adaptou-se à geração das novas tecnologias.

Mapa Etno-musical, que continua a existir em papel, está alojado na página online do Instituto Camões. O sítio da Internet mostra-se como um espaço interactivo, um desafio à exploração com as colunas do computador ligadas. Júlio Pereira, autor da iniciativa, em conversa com o Café Portugal, sublinha que o trabalho não pretende ser académico. «Eu não sou musicólogo. O objectivo é revelar curiosidades de forma rápida e que chegue a toda a gente, sem deixar de ser rigoroso», confessa.

Com uma carreira de 30 anos, Júlio Pereira cresceu rodeado pelas notas musicais. Aos sete anos o pai ensinou-o a tocar bandolim. Cresceu e o rock que «não tem nada a ver com bandolim», ganhou espaço, comenta divertido, Júlio Pereira. Contudo, o encontro com certas pessoas no percurso profissional de Júlio Pereira fizeram o músico deslizar, «naturalmente», como gosta de referir, para os sons tradicionais portugueses. Uma obra que o jornalista João Luís Oliva (responsável pela redacção no presente projecto) descreveu em certo momento como «um trabalho de recuperação renovadora dos sons dos instrumentos tradicionais ‘quase perdidos’». «Não estão perdidos e continuam a ser tocados», assegura Júlio Pereira, referindo mesmo que «andamos com uma ideia errada do que se passa pelo país».

Começamos, então, a descoberta neste Mapa-Etnomusical. Um mapa de Portugal povoado de pequenas imagens, todas elas familiares. Nas ilustrações, a cargo de Sara Nobre, vemos ranchos folclóricos do Minho, no Norte ocidental. Mais a oriente os pauliteiros. Descemos e deparamo-nos com os zés-pereiras, o reque-reque e a concertina, sem esquecer os cabeçudos que desfilam muitas vezes ao ritmo destes instrumentos. Rumamos ainda mais a sul, pelo mapa. Este faz uma «divisão geográfica por já desusadas províncias porque pareceu-nos o mais adequado e eficaz, atendendo às particularidades geográficas e sociais de cada região e à permanência dos seus nomes na nossa memória», lê-se na nota introdutória do trabalho. Pelo Baixo Alentejo, conhecemos o tamborilheiro e fogueteiro. Chegamos ao Algarve para ouvir o Leva-Leva, canto entoado pelos pescadores de sardinha, durante a recolha das redes. Antes mesmo de terminar a viagem pelos sons portugueses, voamos até às regiões autónomas, Açores e Madeira.

Cada região é acompanhada por uma descrição, assim como cada som reproduzido é, também ele, acompanhado por uma contextualização onde é explicada a sua utilização, bem como os aspectos físicos. Aproximamo-nos do final de viagem. No regresso trazemos na memória um vasto mundo etno-musical que cabe no pequeno Portugal.
Fontes: